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Poéticas do Mangue

A exposição Poéticas no Mangue, que já foi divulgada neste blog, organizada pelo curador Fábio Magalhães está maravilhosa. Foram reunidas obras não só de Segall, mas de outros artistas que retrataram visualmente a Zona do Mangue¹. Obras de Di Cavalcanti, Antonio Gomide, Poty Lazzarotto, Otto Lange, Walter Jacob, Manoel Martins, Guido Viaro, Maciej Babinski e Cícero Dias deram outras perspectivas de acordo com a posição de cada um destes perante a época, o local e as mulheres e de acordo suas influências artísticas e filosóficas dando um colorido ao assunto.

As que chamam mais a atenção são as de Segall, Di Cavalcanti e a última e única obra de Cícero Dias, O Sonho da Prostituta.

As obras de Lasar Segall seguem uma linha de alguém que vive a situação como expectador, ou seja, observador, analisando o ambiente com suas relações e sentimentos ali travados. Segall consegue em meio a desejos e máscaras captar a miséria física e mental na qual se encontravam as prostitutas e também seus clientes. Nesse primeiro aspecto uma ilustração do álbum Bubu (1921) – inspirado na novela Bubu de Montparnasse, produzido ainda antes de conhecer o Mangue, num primeiro contato com o tema – é a que consegue evidenciar isso de forma mais comovente e chocante, já o no segundo aspecto é a pintura O marinheiro e a prostituta, onde os dois estão lado a lado mas parecem sozinhos, perdidos dentro de si mesmos. Não existe apelo sensual no nu e nas curvas, a forma em como são apresentadas essas mulheres, no aspecto do traço e composição, causam um misto de compaixão e pena, o que me faz lembrar um trecho das anotações de Stefan Zweig:

Que caminhos de longe, que destinos reúnem essas judias e francesas, até terminarem aqui, pelo preço de três mil-réis (cerca de três francos franceses)! Que cenário para a satisfação do mais banal e animal dos prazeres rápidos – raramente vi algo tão fascinante como essas quatro ruas cintilantes, que dentro de seus muros inquietantes servem a um único propósito, e exclusivamente a ele. Algumas mulheres são realmente belas, sobretudo as mestiças de origem indígena, com seus corpos meigos e cabelos lisos e negros metálicos: uma discreta melancolia paira sobre todas e por isso a sua humilhação, sua exposição na vitrine nem parece vulgar, comove mais do que excita. Uma visão inesquecível.” (Stefan Zweig em Viagem ao Brasil e Argentina)

Do álbum Bubu de Lasar Segall

Do álbum Bubu de Lasar Segall

O marinheiro e a prostituta (1929) de Lasar Segall

O marinheiro e a prostituta (1929) de Lasar Segall

Di Cavalcanti mostra um Mangue mais divertido e excitante, com mulheres enfeitadas e um ambiente animado com música e dança. Talvez seja esta sua visão por ser justamente um frequentador dessa zona como boêmio, ou seja, não um expectador, mas um participante, envolvido pela nuvem de ilusões que cerca o ambiente onde acontece a prática do meretrício. É uma visão que também é interessante, porque de certa forma desloca as mulheres da posição de vítimas e as coloca como profissionais que sabiam a arte de seduzir.

Obra de Di Cavalcanti

Vale a pena conferir!

A exposição estará disponível no Museu Lasar Segall até o dia 08 de Julho deste ano.

Endereço:
Rua Berta, 111, Vila Mariana – São Paulo/SP
Próximo ao Metrô Santa Cruz

Funcionamento:
Diariamente das 11 às 19 horas, fechando somente às terças-feiras. Entrada franca.

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¹ A Zona do Mangue foi o local onde se concentrou o baixo meretrício no Rio de Janeiro a partir da década de 20 por causa das constantes reorganização urbanística pela Prefeitura, ficava próxima a extinta Praça Onze de Julho que terminou com a construção da Avenida Presidente Vargas e o metrô, na região do Canal do Mangue, por isso o nome. Inúmeros estabelecimentos ofereciam mulheres de diversas origens (nativas e estrangeiras) e características, principalmente originárias de comunidades judaicas pobres do Leste Europeu. Foi tema de pinturas, músicas e histórias mas também gerou grande inconveniente para a comunidade judaica da região da Praça.

REFERÊNCIAS

KUSHNIR, Beatriz. Baile de Máscaras, Mulheres Judias e Prostituição: As Polacas e as Associações de Ajuda Mútua. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2ª Edição, 1996.

MALAMUD, Samuel. Recordando a Praça Onze. Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora, 2ª Edição, 1988.

MONZANI, Marcelo & SCHWARTZ, Jorge (org.). Museu Lasar Segall: 50 Obras do Acervo. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.

VICENT, Isabel. Bertha, Sophia e Rachel: A Sociedade da Verdade e o Tráfico das Polacas nas Américas. Rio de Janeiro: Rulume Dumará, 1ª Edição, 2006.

http://www.casastefanzweig.org/

http://www.museusegall.org.br/

Depois de muito tempo sem postar eis que volto com notícias de eventos super legais da 10ª Semana Nacional de Museus aqui em São Paulo (me mudei de novo), que oficialmente dura de 14 a 20 de maio apesar de alguns eventos já terem começado e de outros vão começar antes dessa data.

Destaco os seguintes eventos gratuitos:

COSMOPÓLIS: SÃO PAULO, MUSEU DO MUNDO

O evento conta com um ciclo de palestras, debates e oficina abordando a formação multicultural da cidade de São Paulo e como se deram e ainda acontecem as interações entre diferentes culturas nesse território.

Acontecerá no Memorial da Resistência. Para participar do ciclo de palestras do dia 12 não é necessário nenhum tipo de inscrição, esse procedimento será feito somente para a Oficina de arpilleras.

Palestras, horários e localização no link abaixo.

http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/images/stories/cosmpolis_programa.pdf

SÃO PAULO EM 1860. O OLHAR DE MILITÃO AUGUSTO DE AZEVEDO – CIDADÃOS NEGROS LIVRES NO ESTÚDIO DO FOTÓGRAFO

Exposição no Museu Afro Brasil com fotos tiradas pelo importantíssimo fotógrafo e ator carioca do século XIX que viveu em São Paulo, mostra uma situação pouco explorada, a de negros, não como nas fotos exóticas sobre escravos, mas negros livres.

Casal de negros livres

Mais informações, horários e localização no link abaixo.

http://www.museuafrobrasil.org.br/

POÉTICAS DO MANGUE

Poéticas do Mangue mostra os registros da antiga zona de baixo meretrício do Rio de Janeiro, a Zona do Mangue, dos artistas Lasar Segall, Di Cavalcanti, Antonio Gomide, Poty Lazzarotto, Otto Lange e Walter Jacob, abrangendo o período de 1920 até 1960.

Interior no Mangue - Lasar Segall (1949)

A exposição está no Museu Lasar Segall, que conta com mais exposições e atividades que podem ser conferidas no link abaixo.

http://www.museusegall.org.br/mlsItem.asp?sSume=2&sItem=406

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA 10ª SEMANA NACIONAL DE MUSEUS PARA DOWNLOAD EM ARQUIVO “.DOC” NO SEGUINTE LINK:
http://catracalivre.folha.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Programacao_Semana_dos_Museus.doc

Capelos

Durante a Idade Média européia os cabelos expostos eram um sinal de pureza, virgindade. Logo uma mulher casada deveria manter os seus cabelos cobertos, num sinal de moralidade, mostrando o pertencimento ao marido¹.

Para cobrir os cabelos foram usados mais do que simples panos, pois a indumentária representava a posição social de cada um. As mulheres usavam crespines – uma rede que surgiu no século XIII e prendia o cabelo em diversos penteados –, almofadas – rolos acolchoados que surgiram no século XIV, e eram colocados por cima de coques presos, como os temporais –, henins – chapéus bicudos –, balzos – uma espécie de boina ou chapéu arredondado e almofadado -, outros toucados e véus.

A Filosofia Apresentando as Sete Artes Liberais para Boécio, detalhe em miniatura em um manuscrito francês chamado A Consolação da Filosofia, atribuído a Coëtivy, cerca de 1460-70

Toucados medievais

No período entre a Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna aconteceram mudanças culturais que compreendemos como Renascimento. Dentro desse recorte focarei então, no âmbito da História da Moda, nos toucados que surgiram nessa época e que atualmente provocam o interesse entre muitos jovens pela popularidade crescente da dinastia Tudor e da rainha Ana Bolena por causa dos livros da Philippa Gregory e do seriado The Tudors.

1. CAPELO FRANCÊS

O capelo francês², mais conhecido como french hood, foi usado desde o final do século XIV até o período elizabetano, que é quando começa a diminuir de tamanho até cair em desuso. Basicamente sua forma inicial é composta por duas partes: uma espécie de estrutura no formato de um capuz com a borda adornada emoldurando o rosto e o pano que caía atrás.

Heloísa Encarrega sua Pupila, folha 137 do livro de orações de Carlos de Orleans. Cerca de 1480-1490.

Juana I de Castela, a Louca e Felipe de Habsburgo, o Belo, artista desconhecido, cerca de 1500

Juana I de Castela versão Poupée Girl por Mara Sop

A escolha do tecido variava com as estações, mas para a forma dura recorrente nas imagens provavelmente eram usados tecidos pesados e grossos como o veludo. Para ele se manter na cabeça mais facilmente as mulheres usavam por baixo a coifa, uma touca, para segurar os cabelos presos em tranças. Algumas mulheres deixavam a borda da coifa à mostra antes de chegar a borda.

Suposto rascunho feito por Hans Holbeind da Rainha Ana Bolena usando uma coifa

Mulher com roupa do século XVI usando uma coifa. Retirado do DeviantART http://abigial709b.deviantart.com

Apesar de o capelo francês ter ficado famoso por Ana Bolena, e frequentemente sua introdução na Inglaterra ser creditada à ela, isto deve-se a sua antecessora, Catarina de Aragão, como é perceptível através da pintura dela em seu período de princesa dowager, após a morte do seu primeiro marido, o príncipe Arthur, feita por Michael Sittow em 1501 (na linha do tempo). Essa teoria é falada no trabalho de Louise Pass que utiliza como fundamentação para ela o livro The Tudor Chronicles: The Kings, de David Loades, mais especificamente as páginas 79 e 109. Ana Bolena teria trazido à Inglaterra o novo modelo de capelo francês que estava na moda na Europa. O que era a borda do modelo mais antigo transforma-se numa estrutura dura e mais protuberante, como uma coroa, mas circundando o rosto até as orelhas, conforme aparece no seu tradicional retrato.

Ana Bolena

A partir da década de 1540 o capelo começa com a frente mais aberta, com a aba mais larga e deitada, como já se pode ver nos retratos de Catherine Howard e da Rainha Mary I da Inglaterra ainda jovem (ambos na linha do tempo). Essa nova forma vai culminar no modelo da aba achatada que ficou eternizado nas pinturas da década de 50 de Eworth.

Fraçoise de Brézé por Françoise Clouet, segunda metade do século XVI.

Mary Tudor na versão Poupée Girl por Mara Sop

Na década de 1560 os capelos ficam mais discretos e os cabelos cada vez mais à mostra, um dado que dá a perceber que as coifas foram deixadas de lado. O modelo novo diminui a medida que as golas à moda espanhola aumentam até sumirem mais ou menos no início do século XVII.

Clique para ampliar a linha do tempo do capelo francês. Da esquerda para a direita: Juana I de Castela, Ana da Bretenha, Catarina de Aragão, Maria Tudor (Mary I), Ana Bolena, Catarina Howard, Maria Tudor (Mary I) por Mestre John em 1544, Maria Tudor (Mary I) por Eworth, ElizabeteTudor (Elizabete I), Senhora desconhecida de 1557, Senhora desconhecida de 1578 e Elizabete Brydges.

2. CAPELO INGLÊS

Os capelos ingleses ou capelos espigão, mais conhecidos como gable hood, são aqueles capelos com uma estrutura frontal, bem em cima da cabeça, que lembra a forma de um telhado e, nas laterais, na sua forma mais conhecida, espigas. Seu uso ficou restrito a corte Tudor até onde se sabe, não se alastrou pela Europa.

Lady Margaret Beaufort, artista desconhecido, 1509.

Sua forma inicial lembra a do capelo francês, mas é marcado pela forma geométrica como se pode perceber na pintura acima.

Elizabete de York na versão Poupée Girl por Mara Sop

Já o capelo inglês que Catarina de Aragão usava mostra o modelo com as espigas laterais. Esse modelo é como um telhado, uma “casinha”, que encaixa na cabeça e o pano de trás não é único como um véu, mas dividido em dois, conforme as ilustrações e fotos abaixo que, infelizmente, como já faz tempo que peguei e não guardei o endereço dos quais pertenciam, ficarão sem referências e créditos.

Catarina de Aragão com capelo inglês

Imagens do capelo inglês e sua estrutura

Seu uso sumiu com a aparição das golas altas e grandes, as mesmas que fizeram o capelo francês diminuir até entrar em desuso, mas este tinha uma forma mais dinâmica para se adaptar e combinar com a nova moda.

Clique para ampliar a linha do tempo do capelo inglês. Da esquerda para a direita: Margaret Beaufort, Elizabete de York, Catarina de Aragão, Catarina de Aragão, Jane Seymour e Maria Tudor (Mary I).

3. CAPELO INTERMEDIÁRIO

Existia ainda, embora pouco se fale sobre ele, um capelo intermediário. Era como um capelo francês com formas mais geométricas. Não consegui nada escrito sobre ele nas minhas pesquisas, somente poucas imagens. Deixo elas aqui para que possam conferir.

Estudo da família de Tomas More por Hans Holbein, cerca de 1527. Percebam o capelo circulado de vermelho.

Rascunho da pintura acima

Por incrível que pareça esse capelo apareceu no filme A Outra (The Other Boleyn Girl)

4. NOTAS

¹ Isso considerando a premissa da representação da virgindade através dos cabelos. Se a mulher já “deu” sua virgindade ao marido, passa a dar-lhe também a exclusividade da visão de seus cabelos.

² Apesar de se chamar capelo francês, tradução do inglês french hood, não sabe-se exatamente onde surgiu. Foi moda em toda a Europa.

5. REFERÊNCIAS

FRASER, Antonia. As seis mulheres de Henrique VIII. 2ª edição. Rio de Janeiro: Best Bolso, 2010.

PASS, Louise. The French Hood: The evolution and construction of the French Hood 1500-1600.

http://www.kimiko1.com

http://www.elizabethancostume.net

http://en.wikipedia.org

http://commons.wikimedia.org

http://www.modehistorique.com

http://thefashionhistorian.blogspot.com

http://marasop.deviantart.com

http://www.fashiononline.com.br

http://boullan.wordpress.com

http://abigial709b.deviantart.com

http://www.hrp.org.uk



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Hildegard Von Bingen

Depois de muito tempo de férias do blog venho postar aqui uma das minhas últimas descobertas musicais. Na verdade fui apresentada às composições da Santa Hildegarda (1098-1179) por uma amiga da internet, Raquel Panarello, a qual eu agradeço muito por isso.

Retrato de Hildegarda de Bingen no Liber scivias Domini

Como ao meu alcance tenho poucas formas de pesquisar sobre ela, detive-me apenas na internet, o que me rendeu poucas fontes, mas isso já foi o suficiente para admirar esta mulher que, durante sua vida religiosa foi mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen, escreveu sobre Teologia, Misticismo, Ciências Naturais, atuou em obras de caridade e na medicina informal, utilizando técnicas naturais e populares, e deixou um legado musical e poético muito importante onde através dele podemos sentir a essência de suas concepções de que espírito e corpo, assim como homem, natureza e o Divino deveriam viver em harmonia e de que a solução para as perguntas da humanidade estavam no universo e vice-versa, as perguntas só deveriam ser feitas. E outro ponto interessante que vale destacar acerca de suas composições musicais é que a maioria foi feita, apesar de ter sido produzidas durante a Idade Média, sob os olhos da Igreja e da ordem beneditina, para serem interpretadas por mulheres, composições as quais acreditava escrever assim como outras de suas obras a partir da clarividência dada por Deus.

Segundo as palavras da própria Hildegarda, citadas por Boyce-Tillman e Holsinger, em seus livros respectivamente, “…a música de júbilo suaviza os corações endurecidos, e lhes extrai as lágrimas de compunção, invocando o Espírito Santo… e as canções atravessam (os corações) de modo que eles possam compreender a Palavra perfeitamente; pois a graça divina assim age, banindo toda escuridão, e tornando luminosas todas as coisas que são obscuras para os sentidos corpóreos por causa da fraqueza da carne” e, “Na música se pode ouvir o som da paixão que arde no peito de uma virgem. Podemos ouvir o botão se tornando flor. Podemos ouvir o fulgor da luz espiritual brilhando do céu. Podemos ouvir a profundidade do pensamento dos profetas. Podemos ouvir a sabedoria dos apóstolos se espalhando pelo mundo inteiro. Podemos ouvir o sangue a pingar das chagas dos mártires. Podemos ouvir os mais íntimos movimentos do coração que caminha para a santidade. Podemos ouvir a alegria de uma menina diante da beleza da terra de Deus. Na música a criação devolve para seu Criador seu júbilo e sua exultação; e dá graças por sua própria existência. Também podemos ouvir na música a harmonia entre pessoas que antes eram inimigos e agora são amigos. A música expressa a unidade do mundo como ela era no princípio, a unidade que é restaurada através da penitência e da reconciliação

Além das suas canções estarem sendo resgatadas em sites de vídeo, como o Youtube, e sites compartilhamento de arquivos, a sua vida e suas concepções, mais atuais do que nunca, também estão, com destaque para as produções cinematográficas. Em 2009 foi produzido o filme Vision – Aus dem Leben der Hildegard von Bingen, de Margarethe von Trotta, que procura ser uma biografia que relaciona os fatos de sua vida com suas obras, o que rendeu uma pesquisa minuciosa. Um filme que parece ser muito bom, mas que não tive a oportunidade de assistir por causa da barreira idiomática. Não encontrei ele legendado para o português. Mas vocês podem conferir algumas músicas e o trailer do filme pelo o Youtube. Vale a pena.

Confiram o trailer logo abaixo e alguns links do 4shared com dois cd’s com composições da Hildegarda gravadas por músicos em meados da década de noventa na sessão Downloads deste blog.

Referências

BOYCE-TILLMAN, June. Constructing musical healing: the wounds that heal. Jessica Kingsley Publisher, 2000. (http://books.google.com.br/books?id=zL7WUeneFAMC&pg=PA74&dq=%22hildegard+of+bingen%22&lr=&as_drrb_is=q&as_minm_is=0&as_miny_is=&as_maxm_is=0&as_maxy_is=&as_brr=3&hl=pt-BR&redir_esc=y#v=onepage&q=%22hildegard%20of%20bingen%22&f=false)

HOLSINGER, Bruce W. Music, body, and desire in medieval culture: Hildegard of Bingen to Chaucer. California: Standford University Press, 2001. (http://books.google.com.br/books?id=G-41n_wuTj0C&pg=PA114&dq=bingen+%22causae+et+curae%22&lr=&as_drrb_is=q&as_minm_is=0&as_miny_is=&as_maxm_is=0&as_maxy_is=&as_brr=3&hl=pt-BR&redir_esc=y#v=onepage&q=bingen%20%22causae%20et%20curae%22&f=false)

SILVA, Andréia Cristina L. F. da. Hildegarda de Bingen e as sutilezas da natureza de diversas criaturas. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, UFRJ, 2002. (http://www.ifcs.ufrj.br/~frazao/Bingen.htm )

WILSON, Katharina M. Medieval women writers. Manchester University Press ND, 1984.(http://books.google.com.br/books?id=Qx0NAQAAIAAJ&pg=PA115&dq=%22Liber+divinorum+operum+%22&lr=&as_drrb_is=q&as_minm_is=0&as_miny_is=&as_maxm_is=0&as_maxy_is=&as_brr=3#v=onepage&q=%22Liber%20divinorum%20operum%20%22&f=false)

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3178037,00.html

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4737896,00.html

http://pt.wikipedia.org

“Convocamos todas as lutadoras e lutadores, para no dia 17 de Dezembro, mais uma vez tomarmos as ruas, para dizer o nosso ‘Não!’ à Belo Monte e o nosso “Sim!” à vida e ao Xingu!

Também convocamos todos aqueles que são contra o Novo Código (anti-)Florestal a trazer seus cartazes! Também vamos cantar e mostrar nossa indignação contra esse absurdo de retrocesso!

Nosso SIM ao desenvolvimento de verdade, não com empregos temporarios e precarios, mas com empregos reais. Nosso SIM a uma politica energética realmente LIMPA e NÃO com destruição de ambientes e de vidas. Nosso SIM ao Brasil do futuro e NAO as mais de 70 hidreletricas que querem destruir de vez a Amazonia! Nosso SIM às Florestas e povos do Brasil!

Informe-se onde vai acontecer o ato em sua cidade, ou comece você mesmo a organizá-lo! Todos contra Belo Monstro!”

REALIZAÇÃO:
Xingu Vivo, Frente de Ação Pro-Xingu, Movimento Brasil Pelas Florestas

Cidades que vão participar do ato e mais informações:

BELÉM, às 8hs, em frente ao Teatro da Paz.

SÃO PAULO: https://www.facebook.com/events/203015226446168/

RIO DE JANEIRO: https://www.facebook.com/events/305836556108069/

SALVADOR: https://www.facebook.com/events/222753121128429/

CAMPINAS: https://www.facebook.com/events/101503719966736/

MANAUS: http://www.facebook.com/events/115048181943838/

PORTO ALEGRE: https://www.facebook.com/events/311991998819649/

CURITIBA: https://www.facebook.com/events/144334902340968/

BRASÍLIA: https://www.facebook.com/events/266528560063489/

BRAGANÇA (PA): https://www.facebook.com/events/165904873507365/

DOURADOS (MS): https://www.facebook.com/events/101725493279097/

A peça de teatro que está em cartaz no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, As Polacas – Flores do Lodo, idealizada pela atriz Luciana Mitkiewicz e com texto e direção de João das Neves, é inspirada em diversos personagens de diversos livros pelo que pude perceber ao assistir e depois fazer a ligação entre alguns, como Esther, Brendla e Leiser, do teatro com os do livro O Ciclo das Águas de Moacyr Scliar, é complexo e criativo, criando um diálogo entre as diversas formas de arte e a História, esta última, conferindo um caráter reflexivo à ela.

É uma peça polêmica. Pela relação que tem com a História, o que levanta diversas posições entre historiadores e artistas, pois sempre existe uma expectativa de que a arte reproduza com fidelidade a realidade histórica, por sua maior influência na formação de opinião do que um trabalho acadêmico, apesar de não existir esse compromisso, e ressuscita o tema que tanto os setores conservadores da comunidade cristã quanto da judaica no Brasil tenta abafar: a prostituição. Nesse caso, a prostituição das jovens judias do Leste Europeu, que vinham para a América por diversos motivos: casamentos enganosos, falsas oportunidades de emprego, viagem ao encontro de familiares, entre outros, mas todos estes com um ponto de convergência, a fuga da miséria desesperadora que elas viviam nos shtetlech e o destino que muitas tinham ao chegar, a prostituição. A peça basicamente gira em torno das relações que se davam na antiga Praça Onze, no Rio de Janeiro, entre as figuras do submundo carioca, as prostitutas judias, as prostitutas brasileiras, os cafetões, os boêmios com a comunidade judaica e o resto da sociedade, com grande destaque também para a criação e declínio da primeira associação de ajuda mútua que as “polacas” criaram – a Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita – para poderem continuar praticando sua religião, terem garantias na hora da velhice e da morte, como o Cemitério Israelita do Inhaúma. Abarcando em suas entrelinhas temáticas fortes e ainda muito atuais como o preconceito, corrupção, miséria e violência e como fechamos os olhos para tudo isso.

Utilizando música, com atores tocando, cantando e dançando músicas brasileiras do final do século XIX, início do XX e judaicas, projeções de fotos antigas de autoria de Augusto Malta, que estão no Museu da Imagem e do Som em São Paulo, um figurino muito bem feito, metalinguagem, representações fortes e tocantes, a peça, embora polêmica é conquistadora, assim como as mulheres que lhes renderam o nome.

Não deixem de ler o programa da peça, com sinopse, palavras da idealizadora, do autor e diretor e o nome de todos os talentos que ajudaram a colocá-la em prática. E caso se encontrem no Rio de Janeiro não deixem de assistir!

Estará em cartaz até o dia 18 de Dezembro de 2011, de quarta a domingo, às 20 horas. O ingresso é 6 reais (inteira).

Clique para ampliar

Meu ingresso

Outra dica: Para quem quiser se aprofundar mais no assunto e sair do senso comum ficam indicados os livros Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição – As polacas e suas associações de ajuda mútua da Beatriz Kushnir, Bertha, Sophia e Rachel: a sociedade da verdade e o tráfico das polacas nas Américas da Isabel Vincent, Os prazeres da noite: prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo (1890-1930) da Luzia Margareth Rago, O ciclo das águas de Moacyr Scliar e Jovens Polacas de Esther Largman e os artigos A prostituição judaica no Brasil no início do século XX: desafio à construção de uma identidade étnica positiva de Marcelo Gruman, Guerreiras anônimas: por uma história da mulher judia de Maria Luiza Tucci Carneiro e A Prostituição e o Contexto do Século XIX de Patrícia Marinho Aranha.
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Sobre a divulgação do programa da peça:

Caso a publicação e divulgação de algumas dessa imagens incomode o Centro Cultural Banco do Brasil ou a Bonecas Quebradas Produções Artísticas, favor entrar em contato para que as mesmas sejam retiradas do ar.

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